Educação socioemocional ganha espaço em rede de ensino de Salvador

  • 30/03/2026
(Foto: Reprodução)
Programa de educação socioemocional utilizado pelos Salesianos Bahia busca o conhecimento das emoções como parte essencial para o desempenho escolar Divulgação A educação socioemocional tem ganhado relevância no sistema de ensino brasileiro, e não à toa. Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE/IBGE) revelam que mais de 40% dos adolescentes se sentiram irritados ou nervosos frequentemente, 30% acreditam que ninguém se importa com eles e 21% disseram sentir que a vida não valia a pena. Os dados levantam um alerta sobre o impacto que as mudanças sociais, a vida hiperconectada e a geração de expectativas e frustrações pautadas no consumo exagerado das redes sociais, provocam na saúde mental de crianças e adolescentes, mas também desafiam o papel do educador e da escola no século 21. Conhecer as fórmulas matemáticas e escrever uma boa redação é suficiente para trilhar um caminho de sucesso? Como esperar participação, boas notas, concentração e desempenho de estudantes que não conseguem lidar com as próprias emoções? Apesar da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) não trazer informações específicas sobre educação socioemocional, o desenvolvimento de habilidades, a exemplo de autoconhecimento, empatia, capacidade de resolver conflitos e resiliência emocional, está presente em todas as 10 competências gerais da norma, o que aponta para o entendimento de quão relevantes são para a aprendizagem e o bem-estar dos estudantes. Ariela Costa Marques, Supervisora Pedagógica da Educação Infantil do Liceu Salesiano do Salvador, ressalta que a sociedade está em um crescente, no que diz respeito ao autoconhecimento. Um bom exemplo é a educação para a infância que traz a validação do protagonismo das crianças em sua aprendizagem, o que inclui o desenvolvimento emocional. “Percebemos essa evolução ao olhar para a educação que a maioria das pessoas da nossa geração recebeu, quando precisávamos ‘conter’ o que sentíamos, ‘engolir’ o choro diante da tristeza ou frustração, por exemplo. Com isso, temos visto adultos que não conseguem lidar com seus sentimentos, agindo de maneira impulsiva, e por vezes violenta, e educando seus filhos de maneira que não passem por situações de desconforto emocional, que tanto contribuem para se desenvolverem enquanto pessoa”. Nesse cenário, Ariela acredita que permitir que as crianças e os adolescentes se percebam em seus sentimentos, desejos, potencialidades e fragilidades – que é o que propõe a educação socioemocional – se torna parte fundamental no seu conhecimento e fortalecimento enquanto sujeito. “A educação socioemocional traz uma imensa contribuição para a formação da sociedade que desejamos, cheia de pessoas fortalecidas, empáticas, cuidadosas e verdadeiramente humanas”, concluiu. Quebrando o ciclo Os adultos de hoje, millennials e geração Z, foram estimulados a viver felizes, produtivos e competitivos, mas também a camuflar os seus sentimentos. “Quem foge a essa performance é julgado e punido de várias formas. Tem muito adulto que ainda não consegue identificar e nem nomear as emoções e os sentimentos, pois não teve a oportunidade de aprender sobre isso”, pontuou Cynthia Tanajura, Psicóloga Escolar do Liceu Salesiano do Salvador. Os millennials cresceram ouvindo seus pais falarem sobre estabilidade financeira, enquanto que a geração Z convivia com a hiperconectividade desde a infância. Ambos, hoje pais, precisam aprender, junto com os filhos e a escola, sobre empatia e autoconhecimento. “A educação socioemocional é essencial para o desenvolvimento integral da pessoa e pode acontecer em qualquer faixa etária, não apenas na infância e juventude”, acrescentou. Dentre os benefícios que a educação socioemocional proporciona, Cynthia ressalta o desenvolvimento de repertórios comportamentais protetivos que contribuem com a saúde mental. “Quando a criança ou o jovem consegue identificar o que sente, e nomear, se torna capaz de descrever o que acontece consigo mesmo e assim perceber mais rapidamente se precisa conversar, buscar ajuda, ajustar algum aspecto da sua vida ou se está apenas passando por um período mais difícil e que vai se resolver naturalmente. Assim, não se apavora ao sentir tristeza ou tédio; se autorregula com mais facilidade”. No que tange à preocupação dos pais quanto ao futuro profissional, a psicóloga destaca que jovens que tiveram a oportunidade de aprender sobre as próprias emoções desenvolveram melhores habilidades de trabalho em equipe, são mais flexíveis, ouvem orientações e críticas com atenção, sendo mais receptivos a novas aprendizagens. “Importante destacar que a educação socioemocional proporciona uma vivência empática muito mais intensa, o que contribui para a construção de habilidades sociais onde a assertividade e o senso crítico passam a ser privilegiados, formando cidadãos mais capazes de perceber as lacunas sociais, os preconceitos e as injustiças. É uma ferramenta poderosa para a organização coletiva e mudança social”, elencou. Pilar socioemocional: Dom Bosco e LIV A Educação Socioemocional sempre esteve presente na metodologia da Rede Salesiana por fazer parte da essência do sistema preventivo de Dom Bosco, mas com as rápidas transformações sociais surgiu a necessidade de aprofundar no tema, com maior oferta de recursos aos estudantes. Desde 2018, as unidades passaram a conhecer programas específicos de educação socioemocional, até que em 2024 adotaram o programa LIV (Laboratório de Inteligência da Vida). “Acredito que o LIV contribui para dar mais robustez, estrutura e visibilidade a este pilar necessário para a construção de pessoas mais seguras, críticas e humanas. São estas pessoas que certamente trabalharão para as mudanças sociais de que todos precisamos”, acrescentou Cynthia Tanajura. O LIV é um programa completo e estruturado que sistematiza, com muito cuidado e atualizações constantes, as abordagens em Educação Socioemocional seguindo as diretrizes da BNCC. Com um olhar muito sensível para as diferentes faixas etárias, com suas peculiaridades desenvolvimentais, o material é trabalhado em aulas semanais, com professoras preparadas para esta finalidade. Diversas atividades proporcionam vivências que vão construindo o pilar socioemocional na formação dos alunos. “Atualmente contamos com o LIV nos cursos da Educação Infantil e Ensino Fundamental Anos Iniciais. Sentimos que as crianças estão mais engajadas e as famílias já percebem a importância do programa nos comportamentos socioemocionais dos nossos estudantes”, concluiu. Cynthia Tanajura ,CRP 03/1959.

FONTE: https://g1.globo.com/ba/bahia/especial-publicitario/salesianos-bahia/noticia/2026/03/30/educacao-socioemocional-ganha-espaco-em-rede-de-ensino-de-salvador.ghtml


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