Suspeito de agredir operadora de caixa na Bahia é indiciado por lesão corporal
26/05/2026
(Foto: Reprodução) Operadora de caixa é agredida por cliente em supermercado na Bahia
O homem investigado pela agressão de uma operadora de caixa de supermercado na cidade de Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, foi indiciado pela Polícia Civil após a conclusão do inquérito sobre o caso. Ele foi indiciado pelos crimes de lesão corporal qualificada pelo gênero e injúria real. A profissional foi agredida na última terça-feira (19) e a situação foi flagrada por câmeras de segurança.
Segundo informações apuradas pela TV Oeste, afiliada da TV Bahia na região, o investigado — identificado como Antônio Marcos Bandeira Sales, de 56 anos — prestou depoimento à polícia na sexta-feira (22). A investigação sobre o caso foi concluída pela Delegacia Territorial de Luís Eduardo Magalhães na segunda-feira (25).
O crime de lesão corporal qualificada pelo gênero se refere a agressões físicas contra mulheres por discriminação ou violência doméstica e tem uma pena de 3 meses a um ano, além de multa. Já o de injúria real se refere a agressões físicas humilhantes e tem pena de 3 meses a um ano, e multa.
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Suspeito de agredir operadora de caixa em Luís Eduardo Magalhães prestou depoimento à polícia na última sexta-feira (22).
Reprodução/TV Oeste
O g1 entrou em contato com o Ministério Público da Bahia (MP-BA) para detalhes sobre os próximos passos do órgão após a conclusão do inquérito, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.
Ainda conforme informações apuradas pela TV Oeste, o advogado de defesa da vítima, Cristhian Azevedo, informou que está cobrando celeridade para a tramitação do caso e espera do Poder Judiciário uma resposta "firme, proporcional à gravidade dos fatos apresentados nos autos".
Já a defesa do suspeito, exercida pelo advogado Bruno de Mello, destacou que "a verdade relacionada ao contexto dos fatos será devidamente comprovada e provada". (Confira as notas na íntegra no final da reportagem)
Relembre o caso
O caso aconteceu na última terça-feira (19), em um supermercado de Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia. Na ocasião, a operadora de caixa, de 22 anos, passava as compras de um casal de clientes. O vídeo da câmera de segurança do estabelecimento mostra o momento que Antônio Marcos Bandeira Sales deu um tapa da no rosto da vítima. Ninguém foi preso.
Nas imagens, é possível ver que, enquanto empacotava os itens, o homem segurou o queixo da vítima. Ela deu um tapa no braço do agressor e, logo em seguida, ele deu um tapa no rosto dela. (Veja o vídeo no início da reportagem)
O gerente do Hiper Santo Antônio Universitário, Fabrício Batista de Araujo Gomes, disse em depoimento à polícia que o agressor justificou que a funcionária "estava passando as mercadorias de forma rápida, danificando frutas e verduras".
Cliente deu tapa no rosto da operadora de caixa em mercado de Luís Eduardo Magalhães
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Depois de receber o tapa no rosto, a vítima foi retirada do caixa por colegas e levada até o escritório do supermercado. Os clientes que estavam na fila e os outros funcionários do supermercado reclamaram com o suspeito e houve uma discussão.
"Ela tem que ter educação. Chama a polícia", gritou o agressor.
Mesmo após bater na funcionária, o homem seguiu empacotando as compras e depois foi embora do estabelecimento. O boletim de ocorrência foi registrado pela vítima e pelo gerente do supermercado, momentos depois.
O suspeito de cometer as agressões teria se apresentado como pastor. Apesar disso, a Associação de Ministros Evangélicos de Luís Eduardo Magalhães informou que o suspeito nunca fez parte do quadro de membros.
A Primeira Igreja Batista, em nota, também informou que o homem é apenas um frequentador da unidade, e não possui nenhum vínculo pastoral ou de representação.
O g1 apurou que o homem de 57 anos é vendedor de comércio varejista e atacadista e se candidatou a vereador da cidade em 2020, pelo partido Podemos. Ele foi eleito como suplente.
Caso é investigado na delegacia de Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia
Gabriel Pires/TV Oeste
Em nota, o supermercado informou que presta assistência para a funcionária, disponibilizou as imagens das câmeras de segurança para a polícia e que o registro do boletim de ocorrência foi feito no mesmo dia.
"Não toleramos qualquer forma de violência contra nossos colaboradores, parceiros ou clientes. Nossas equipes são treinadas para oferecer o melhor atendimento com respeito e profissionalismo, e esperamos o mesmo tratamento em contrapartida", diz a nota.
Confira as notas das defesas dos envolvidos na íntegra:
➡️ Nota da defesa do investigado:
"A defesa técnica do sr. Antônio Marcos Bandeira Sales, exercida pelo advogado Bruno de Mello com sede em Brasília, informa que assumiu o caso relacionado ao fato da agressão contra a funcionária do caixa no mercado.
Informamos, que o inquérito já foi relatado pelo delegado de polícia, Dr. Ewerton Damião dos Santos, e o processo se encontra em segredo de justiça, portanto só podemos nos manifestar nos autos.
A defesa destaca que, no pleno exercício do contraditório e ampla defesa, a verdade relacionada ao contexto dos fatos será devidamente comprovada e provada.
Por fim, destacamos, ainda, que nosso cliente vem sofrendo diversas ameaças, até mesmo de morte, e que nossa equipe já identificou algumas delas e que iremos representar junto à autoridade policial para que todas sejam responsabilizadas criminalmente.
Dr. Bruno de Mello Matos Costa
OAB/DF 23.780"
➡️ Nota da defesa da vítima:
"A defesa da vítima informa que o inquérito policial foi concluído, representando um importante avanço na busca por justiça e responsabilização dos envolvidos.
Desde o primeiro momento, todas as providências jurídicas cabíveis foram adotadas, inclusive com o ingresso de medidas e ações nas esferas competentes, visando a devida apuração dos fatos e a responsabilização de todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram para os acontecimentos investigados.
A defesa segue cobrando celeridade na tramitação do caso e espera do Poder Judiciário uma resposta firme, proporcional à gravidade dos fatos apresentados nos autos. A sociedade não pode naturalizar qualquer forma de violência ou omissão diante de condutas dessa natureza.
Destaca-se, ainda, que o processo tramita sob sigilo, medida essencial para preservação da vítima, de sua integridade, dignidade e segurança. Em respeito às determinações legais e ao cuidado necessário com a vítima, a defesa não divulgará detalhes internos dos autos neste momento.
Por fim, reiteramos que continuaremos acompanhando o caso com máxima seriedade, responsabilidade e firmeza, adotando todas as medidas necessárias até a completa elucidação dos fatos e responsabilização dos envolvidos.
Cristhian Azevedo"
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